A importância da escolha das cores

Evitando a fadiga visual das cores de alto brilho.
 

Como product designer, a escolha das cores em um projeto é uma das decisões mais importantes que tomamos, uma vez que as cores têm o poder de influenciar diretamente a percepção do usuário sobre a interface que criamos. No entanto, muitas vezes não consideramos a sensibilidade dos olhos às diferentes cores, o que pode levar a problemas como fadiga ocular e impactar negativamente na experiência do usuário.

Hoje trabalho em uma empresa que usa predominantemente o amarelo em suas comunicações e após muitos slide shows com um amarelo brilhante de background me veio a vontade de entender: por que percebo o amarelo tão brilhante? Seria ela a cor mais brilhante para nossos olhos? Bom, vamos começar do começo.

Se quisermos descobrir qual é a cor mais brilhante, precisamos primeiro entender o que faz algumas cores parecerem mais brilhantes do que outras. A explicação está em nossos olhos, o olho humano consegue perceber as cores graças a células sensíveis à luz chamadas fotorreceptores. Existem dois tipos principais de fotorreceptores: os bastonetes e os cones. Os bastonetes são mais sensíveis à luz fraca, sendo responsáveis pela nossa visão periférica e noturna, enquanto os cones são responsáveis pela visão de cores, então são neles que focaremos. (perdão o trocadilho)

 

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Existem três tipos de células cones em nossos olhos: cones curtos, médios e longos. Cada um desses cones é sensível a uma faixa diferente de comprimentos de onda de luz, que nos permite enxergar as diferentes cores.

Os cones que reagem a comprimentos de onda curtos são mais ativados pela luz azul, enquanto os cones que reagem a comprimentos de onda médios são mais ativados pela luz verde. Já os cones que reagem a comprimentos de onda longos são mais ativados pela luz vermelha. Tá sentindo a semelhança com algo? Exatamente, displays RGB, mas falaremos sobre eles depois.

Quando a luz atinge a retina, ela interage com os pigmentos sensíveis à luz presentes nas células cone, provocando uma reação química que gera um impulso elétrico transmitido para o cérebro para gerar as cores que vemos, é como se fossem peças de um quebra-cabeça que se encaixam para formar a imagem completa.

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A faixa de luz com comprimento de onda de cerca de 555 nanômetros é considerada a mais brilhante do espectro visível e é nessa faixa que encontramos o amarelo! Isso ocorre porque nossos olhos são altamente sensíveis a essa região do espectro, o que significa que quando somos expostos à luz amarela, nossas células cones são fortemente ativadas, resultando em uma percepção intensa e brilhante da cor.

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Por essa razão, o amarelo é frequentemente usado em sinais de trânsito, alertas de segurança, sinalização de emergência e outras situações em que é importante chamar a atenção das pessoas. No entanto, o uso excessivo de amarelo pode levar a fadiga visual, especialmente quando exposto em grande escala ou por períodos prolongados de tempo. É importante, portanto, usar essa cor com moderação e de forma estratégica para garantir sua eficácia e não prejudicar a percepção que você quer passar para os usuários em seu projeto.

Vale lembrar também que essa sensibilidade as cores varia de pessoa para pessoa. Alguns indivíduos podem ter uma sensibilidade maior para determinadas cores, enquanto outros podem ter uma sensibilidade menor. Além disso, a sensibilidade pode ser afetada por vários fatores, incluindo a idade, a iluminação e as condições de saúde.

Para reduzir a fadiga visual, existem algumas medidas que podemos tomar, como a utilização de filtros de luz azul em telas de dispositivos eletrônicos, ou o ajuste do brilho da tela e a redução do tempo de exposição a esses dispositivos. Sempre é bom também fazer pausas regulares se você trabalha na frente de um computador por muitas horas.

Diferentes devices apresentam variações na reprodução de cores, o que pode influenciar na percepção das cores em displays.

Telas RGB

Embora o processo seja diferente, tanto as células cone quanto os displays RGB utilizam a mesma combinação de cores primárias: vermelho, verde e azul. Cada píxel é composto por três subpíxeis, cada um contendo um LED que produz luz vermelha, verde ou azul. Ao controlar a intensidade de cada LED, a tela consegue criar uma ampla gama de cores.

Abaixo temos a imagem microscópica de como funciona uma tela RGB, interessante né?

A escolha das cores em um projeto é essencial para transmitir a mensagem correta e garantir a eficácia do design. Sabemos que o amarelo é uma das mais brilhantes e pode ser muito eficaz em alertas e avisos. No entanto, é importante lembrar que o uso excessivo ou inadequado dessa cor pode cansar os olhos do usuário e prejudicar a percepção da mensagem. Portanto, é importante escolher as cores com cuidado e atenção para garantir a melhor experiência visual possível para o usuário. Ao fazer isso, podemos criar projetos eficazes e visualmente agradáveis que comunicam de maneira clara e eficiente a mensagem desejada.

Referências

✦ There’s Something About Yellow — Rock Content
✦ Color: From Hexcodes to Eyeballs (jamie-wong.com)
✦ Eye sensitivity and photometric quantities (rpi.edu)
✦ Robinson, S. J. and Schmidt, J. T., Fluorescent Penetrant Sensitivity and Removability — What the Eye Can See, a Fluorometer Can Measure, Materials Evaluation, Vol. 42, №8, July 1984, pp. 1029–1034

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